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O poder da diversidade nas equipes de projeto

Educação em Projetos ao alcance de todos

O poder da diversidade nas equipes de projeto

Experimentei o impacto transformacional da diversidade desde que iniciei minha jornada como gerente de projetos em países do cone sul (Argentina, Paraguai, Chile e Uruguai). A experiência me fez questionar todas as ações e comportamentos aprendidos que eu havia feito anteriormente sem pensar: como cumprimentar as pessoas, como fazer um pedido, como agradecer aos outros, como comemorar, como se desculpar e, mais importante, como colaborar. Isso abriu a porta para um impressionante novo mundo.

Desde então, tenho me divertido em gerenciar projetos em um ambiente internacional. A diversidade nas equipes de projeto é uma fonte inestimável de inovação e crescimento para os indivíduos – bem como para os projetos.

Benefícios pessoais da diversidade

Ao longo da minha carreira, tive a oportunidade de trabalhar em ambientes diversos e inclusivos. E aprendi muito como resultado.

Em primeiro lugar, essas experiências me ensinaram humildade: ao entregar projetos no interior do Paraguai, por exemplo, trabalhei com pessoas que falam o idioma local (espanhol) e também o guarani e ainda um dialeto alemão, sendo mais específico ainda, além de aprender como colaborar com pessoas de diferentes culturas, etnias e origens. Essas experiências também me ajudaram a questionar o status quo: por exemplo, nosso time técnico de campo tem poucas mulheres e em alguns mercados, nenhuma. O mesmo se passa com os times de engenharia ou mesmo de gestão de projetos.

Meu senso de empatia foi reforçado: restrições técnicas ou políticas podem atrapalhar projetos, mas, apesar de tudo, as equipes trabalharam muito para cumprir seus objetivos. Essas experiências também despertaram minha curiosidade e me incentivaram a ampliar meus pontos de vista. Aprendi a fazer perguntas abertas (sem julgamento) e a lutar contra preconceitos.

Surpreendentemente, interagir com pessoas em outros ambientes culturais também me levou a entender melhor minha própria cultura e a mim mesmo. Essa jornada introspectiva me forçou a dar um passo atrás e me tornar um líder de projeto mais dinâmico, informado e empático.

Benefícios da Diversidade para o Projeto

Diversidade não se trata apenas de diferenças étnicas ou culturais – também significa abraçar pessoas com diferentes idades, identidades de gênero, históricos profissionais e níveis de experiência.

Por exemplo, quando comecei a trabalhar como gerente de projeto, havia um gerente de equipe perto da aposentadoria. Seu papel foi fundamental para a equipe: ele ouviu com calma nossos problemas e agiu como um mentor, compartilhando suas experiências para ajudar a orientar nossas decisões naquele momento.

Por outro lado, eu queria melhorar o status de um projeto, mas não sabia como. Conversei com um colega mais jovem e ele se ofereceu para fazer uma revisão de dados. Surpreendentemente, descobri que ele era proficiente na criação de indicadores e como extrair mais informação de nossos registros existentes.

Recentemente, trabalhei em uma equipe muito diversificada, tanto no que se refere à formação quanto às experiências. Eles não eram engenheiros; alguns tinham experiência em marketing, outros em recursos humanos, uma era novata de empresa e outros, com muita experiência.

Durante nossas sessões de trabalho, muitas vezes discordamos fortemente e enfrentamos vários mal-entendidos. Mas eu prezo esses projetos, porque trabalhamos de forma colaborativa para chegar a um compromisso, apesar de nossas diferenças. Também promoveu um sentimento de pertencimento e uma verdadeira colaboração em equipe.

Diversas equipes de projeto o forçam a explorar e adotar novas maneiras de trabalhar. Durante a pandemia, descobri novas ferramentas de comunicação digital que me permitiram criar um vínculo com minha equipe e fornecer informações de projeto para membros remotos da equipe.

Ser inclusivo traz novas perspectivas que aumentam a criatividade e estimulam a inovação. Também evita que sua equipe de projeto caia na rotina das mesmas velhas ideias e soluções.

A inclusão deve ter uma base racional e objetiva:

  • O que a equipe do projeto vai ganhar?
  • Como isso trará resultados excepcionais para o projeto?
  • Qual será o ganho da nova contratação?

O desejo de impulsionar a imagem pública ou influenciar a opinião pública para que pareça ter a mente aberta e tolerante não agregará valor. Em vez disso, trabalhe para abraçar indivíduos qualificados que tragam algo novo para sua equipe.

Qual é a sua origem?

Esse tipo de pergunta pode estar cheia de boas intenções, mas também pode soar ingênua. Quanto podemos adivinhar a partir de um nome de família? Os nomes de família têm histórias e, às vezes, você herda um nome de gerações anteriores com as quais não tem nenhum vínculo; ou você pode ter nomes tipicamente brasileiros, mas com origens estrangeiras. Por exemplo, durante uma atividade de um projeto com um membro do México, seu nome e sobrenome eram alemães, porém ele já a terceira geração no país. 

Mais importante, como as respostas a essas perguntas o ajudam a se tornar culturalmente mais autoconsciente? Eles não reforçam nossos preconceitos? 

Aqui vão quatro maneiras que experimentei para abraçar uma mentalidade de aprendizagem:

  • Estabeleça regras básicas para fazer perguntas pessoais
  • Como gerente de projeto, é fundamental discutir as regras e valores básicos com a equipe desde o início.
  • Mostre respeito e gentileza
  • Respeite os limites

Devemos usar nomes ou sobrenomes? O que dizer dos apelidos?

Outro aspecto complicado é a pronúncia dos nomes. Felizmente, algumas redes sociais oferecem a possibilidade de gravar seu nome, embora isso não garanta que seu nome seja pronunciado atualmente. Você terá que ser tolerante e aceitar os desvios.

Aprenda perguntando

Inclua fragmentos de aprendizagem de diversidade em suas atividades de projeto do dia-a-dia com pequenas ações; essa também pode ser uma forma indireta de perguntar às pessoas.

  • Converse com os colegas quando eles tiverem dias de folga para entender o que eles comemoram (e como).
  • Incluir os principais festivais / celebrações / feriados no calendário do projeto
  • Existe um clube intercultural que organiza apresentações em seu local de trabalho? Se não existe, por que você não cria um? Ou peça a um membro de sua equipe de projeto para fazer uma breve apresentação sobre seu país / local de trabalho como parte de uma pequena conversa ou sessão de happy hour.

Que tal aproveitar que não podemos viajar por causa da pandemia e pedir aos membros da equipe de um projeto que envie fotos de seus países ou usar como background de sua webcam, uma imagem que faça referência a sua cidade? Isso nos ajuda a “viajar” e desperta a curiosidade por outras realidades.

Não recue se achar que o colega não quer falar. Só porque os projetos estão cada vez mais internacionais não significa que possamos fazer qualquer pergunta.

Aprenda praticando

A prática leva à perfeição. Trabalhando com alguns de meus colegas latino-americanos, descobri como suas sociedades são misturadas. Eles têm feriados nacionais para históricos e religiosos diferentes dos nossos. Até mesmo o dia dos pais ou das mães pode mudar de acordo com o país. 

Como você promove e celebra a diversidade dentro de sua equipe de projeto?

 

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